quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Tirando a poeira...

Extraindo o futuro de um passado distante,
Abstraio da introspecção o que há de irreal,
Distraio a atenção, me torno infinito no ar.
Sou a terra sem fim, a luz, o véu,
não mais que o manto do céu de mim.

A impressão que dá é que as coisas ficam mais claras aqui. A amplitude no horizonte se torna subjetivamente literal. Desigual, o corpo acata a pequeneza, e a mente se liberta. O que importa passa ser a importância, não os valores importados que carregamos sem valia qualquer... aqui não há a desnatureza conflitante que incessante nos cega entre prédios e carros, barulho e silêncio mudo, silenciando o grito no desassossêgo da inconstância de uma vida urbana desigual. Aqui o silêncio é a paz do encontro consigo mesmo... e só.

Que paz é essa, que no homem não apraz como o desassossêgo o faz?

...que depois do inusitado encontro, voltamos enfim, tangentes à calma natural, cadentes a um frenesi pedante, agindo à imagem infante, errantes em pensamentos mutantes fazendo das antíteses contradições de nós mesmo...

13.01.2009 - Salar de Uyuni - BO

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quinta-feira, 2 de abril de 2009

No sofá multicolorido

Em um sentimento doloso, acordo, concordo e contesto o contexto; conquanto, adverso ao verso e à confusão do texto - que detesto, atesto -, por fim, o acato de fato.
Contudo e não obstante, não é o bastante de tudo ao todo da minha compreensão. Insensato, me vejo no ato, confuso num monólogo ambíguo e estranho. Subjetivo ao meu trato - em prosa entreato que, da poesia vazia, proseia antipatia - prego a nostalgia, e me afundo, bem no fundo, de um eu abstrato...

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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Fossa Crítica

Eu vou assim meio aéreo,
meio perdido, meio a meio
num exercício forçoso que é conviver com essa idéia.

Eu vou vivendo em vão
ouvindo em todo lugar essa canção
e em todo lugar, o cheiro, e o gosto,
e o momento vago, que agora é vivido fora daqui.

Nesse quarto, nessa sala,
esse fardo selado, pesado, triste
talvez não pela perda
talvez não pela mentira
não sei... é tristeza
desnuda, crua, intensa
que aperta, que sufoca, que embaça.

E que me faz do corpo uma linha torta.
E eu vou torto, meio morto
passo a passo, flutuante, eu vou
vou sem chão, sem ar
vou fugaz, sem perdão
vou caindo sem saber onde chegar
embalado por um sentimento doloroso... sem nome.

A pele magra se torna opaca
os olhos, fundos,
as mãos, mortas,
morto... me sinto morto
me sinto preso dentro de mim mesmo,
desfragmentando os meus pensamentos,
despersonalizando as minhas pessoas,
não dá certo... nem assim.
logo eu mesmo me acho, me aperto e me mato.

E os únicos momentos sãos vão de auxílio ao torpor
dentre goles e tragadas, a tristeza se dissolve
e eu volto...

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domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sobre a incomunicação...

Pois bem, que seria a comunicação? Tem ela, por oculto firmado, sentimento desses, ousado, em ver-se, afinal, compreendido em voltas ao interesse próprio? É proposta posta em prática? É? Pois é... isso depende. E, assim, de acordo, se faz também a incomunicância. Não vejo argumento invencível em ponto cuja argúcia torne conclusão alguma firmada em conjuntura qualquer.
Enfim, assunto capistrano o proposto. Ao meu ver, a incomunicação mostra as caras, no geral, em dois momentos: a falta de interesse por compreensão, ou a já intrínsica compreensão.
Veja bem...
Quando não há interesse de compreensão, quando a compreensão já se foi aos ares, quando a compreensão já se escorreu ao ralo da relação dentre 2 ou mais viventes, surgirá, de mansinho ou de sopetão, o silêncio do coração que só quer a solidão. Não é situação difícil de se imaginar. Gente, gente e mais gente, bilhões de gentes nessa vida... selecionamos os que prezamos; aos rejeitados, o limbo! Não há de se fazer muita coisa, persona não grata se trata assim, no ferro do cinto mesmo. Para que compreender ou tentar ser compreendido por alguém que já deu mostras de total inferioridade ao chão aveludado sobre o qual eu caminho? É coisa meio inútil... vez que outra até nos vemos surpresos com tais vermes... às vezes se mostram até evoluidinhos até... às vez... muito de vez em quando... Por exemplo, seria a incomunicação desculpinha esfarrapada a relacionamentos dilacerados? SIM! Por certo. Relacionamentos dilacerados não admitidos por ambas as partes afundam-se num silencioso constrangimento de incomunicação, tendo, ainda assim, como a fina pilastra da edificação, aquele papinho miserável "oh! aqueles em quem confiamos são aqueles com quem nos calamos"... eis a incomunicação corrosiva de uns tantos perdidos por aí.
Todavia, conquanto haja tal vertente da desafirmação da comunicação, não paremos por aí. Conclusão dessas, precipitada, destrói lares, eclode a desavença por dentre os casebres humildes dessa nação alegre e bonita por natureza. Não queremos isso... queremos a união, queremos o novo. Ei-lo cá: a incomunicação como evidência de confiança e conpreensão mútua. Parando para pensar, vê-se que a comunicação pode ser, de certo modo, dividida em dois aspectos: comunicação de conhecimento e comunicação de firmamento. A comunicação de conhecimento, evidentemente, refere-se aquele papo padrão entre dois desconhecidos - nomenclaturas, gostos, concepções, filosofias, etc. Tal estirpe de comum icação não deve ser levada em conta dentro da discussão levantada, afinal, segue normas restritas em todas as partes do mundo, não sendo relevante a levantamento de evidência de maior seriedade. Já a comunicação de firmamento, essa sim, deve ser atentada na discussão alevantada -por ser essa a comunicação entre aqueles que, num mínimo valor que seja, alcançaram certa confiança mútua. Cá participam elementos de uma conversa cotidiana com progenitores, namorados, amigos, etc. Conversas de maior previsibilidade e, portanto, por vezes, menor duração ou intensidade. Conversa fiada mesmo. Compreendida essa diferenciação, fica evidente como, afinal, a incomunicação como evidência de confiança e compreensão mútua ocorre. É processo natural dentre dois viventes que vêem, um no outro, expectativas concretizadas, virtudes semelhantes, enfim, compreensão confiada e confiança compreendida.
Incomunico-me, pois, por fim.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Gente

Se vê que essa gente não é tão ruim,
Que, se é gente, vai se dando assim,
Se doando meio sem razão.

Não, não há ninguém que siga sem querer
Um alguém pra gente aprender
Onde fica o coração.

Vai achar aquela que te faz feliz
E, quando achar, então você me diz
Que o amor é coisa séria sim...

Até o dia em que se busca
Culpa na desculpa muda,
Busca barro na calçada
E joga pra dentro de casa,
Que essa já vai descasar...

É... que essa gente não é boba assim,
Que, se é gente, vai jogando, sim,
E sai ganhando já pra não perder.

(ouçam no site da banda! www.palcomp3.com.br/bossacritica )

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Medicina de Mercado

A abordagem de temas de cunho politico-social é, de fato, necessária a toda a população. No caso do curso de Medicina, faz-se tão importante quanto, senão mais, visto que a maioria dos estudantes constitui uma elite social em grande parte alheia aos acontecimentos político-sociais do país. Para muitos deles – e para a classe média em geral – a abordagem privada da saúde já não é questionada. O direito à saúde foi esquecido. Acostumou-se a pagar o convênio, a consultar em especialistas cada vez mais específicos, e, sobretudo, a reclamar do SUS – ironia, pois o único contato com o sistema único de saúde com essa parcela da população é indireto, distorcido via grande mídia, a qual raramente salienta pontos positivos, e divulga sim casos muitas vezes isolados de pontos negativos extremos. Além disso, mesmo professores da faculdade, por vezes, não dedicam devida atenção à necessidade do debate desses assuntos, muitas vezes aparentando estarem eles próprios tomados pela ignorância dos rumos e prioridades na saúde e nos variados setores brasileiros. Com isso, chega-se a uma situação delicada ao final do curso: enquanto o país necessita de um maior número de profissionais conscientes sobre a situação da saúde brasileira, graduam-se mais e mais médicos encilhados pelo conceito pré-formado da medicina privada, da medicina de consultório, da medicina de convênio – agindo, por pura inércia, tal como médicos desesperançados pela resolução de um problema de que mal tomaram conhecimento.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Firença

Batuta o matuto um trejeito no jeito à gente a que vai se'xplicar
Matuta a cera de se ter por feito o leito onde se vai deitar
Carece, mal quisto, dum visto, dum ato, dum fato de se orgulhar
E chora por pena da cena de nao ser alegre quando deve estar...

E tenta matar a desgraça, matar na cachaça,
- ma non c'è l'ho qui!
Inventa uma cisma no peito, amor sem despeito
- no, non c'è l'ho qui...

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domingo, 21 de outubro de 2007

...o resto da vida se embaça.

vem em segundo plano, pairando em um ar difuso e conflituoso. Mais e mais o mundo se torna grande o bastante para eu me ver perdido dentro até do meu próprio quarto. As coisas - sendo, de fato, coisas - vão passando sem se notar. E assim eu vou folheando essas páginas, escrevendo sem cessar esse nome...

um brinde... a qualquer coisa que possa fazer sentido.

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domingo, 23 de setembro de 2007

A Leveza x O Peso

Na inconstância da natureza, nada mais tolo que se ter por incerto o certo. Por convenção, disso o contrário sábio se torna, e isso é coisa bem pertinente. Que a gente já têm por incerto um tanto de certo e não vê quão lógico é pensar o contrário. O que eu quero passar é: primeiro, que o certo é incerto - e isso é verdade e boto fé -; segundo, que não há nada de errado - e muito pelo contrário - em pedir ao contrário uma resposta mais certa.

Exemplifico...

Na brandura acalorada daquele corpo, Ela se fazia soberana feito coisa nunca vista. Dominava-o por completo, impondo-lhe sua força leve. Se havia questão feita, a questão da questão se fazia resposta, e, não fosse o temor de convenção, se veria o certo pelo certo, e assim se quedaria por fim. No entanto, há de se ver que não se tem certeza tão certa assim, e por isso, meia e volta, a questão vem, e se vai, e se avira do avesso. Enfim... coisa bem cabida a um corpo dessa natureza. Mantinha-se o corpo... corpo de inefável beleza por tamanha flexão entre certeza/incerteza, resposta/questão - devido isso somente a Ela, força leve que o acometera.

Tão logo, de súbito, assim veio a fição (pois Ele não se tardou). O corpo pluralizou em dois, a vida singularizou em um vão. Afinal, não há de se ter leveza naquilo tão quisto pelo temor de convenção. E, como se viu que há de ser, da certeza fez-se incerteza, e do avesso avirou-se a questão. Já não havia tamanho equilíbrio a flexionar coisa a outra, tamanha leveza a questionar a própria questão - Ele, por fim, se fez presente nessa história, pesando seu fardo da incoerência e recriando os traços da inconveniência.

A história é resumida, sem os detalhes descabidos, mas tem pelo certo o fim incerto que está ainda a desenhar.
A história é verídica. A história se repete. A história é um eterno retorno.
Avesso ao avesso, talvez seja um problema sem resposta.
Que talvez à resposta só reste a questão dessa própria questão.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Critilo

Embora você não queira ficar à beira, quase a cair
dentro do abismo entre a loucura e a razão,
agora, você se orgulha de ser aceito sem um defeito.
Mais um poeta, um imperfeito ato primeiro
do grande ator que atua em vão.

Em vão, vão atrás de alguém que nada faz
além de ouvir quem os vê como alguém
que nada faz além de ouvir quem os vê como alguém
que nada faz além de ouvir quem os vê como alguém
que nada faz além de ouvir aquém e ver como ninguém
nada faz além de ouvir quem os tem como alguém...

(Gutiérrez)

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sábado, 28 de julho de 2007

União Estável - Porta de Entrada

Creio ser pertinente uma breve (ou nem tanto) reflexão sobre o assunto, logo de início, para motivar os colegas. Além disso, é um assunto intrigante a qualquer um - afinal, (e eu hei de concordar...) diz que "temos nesses outros não uma companhia, mas, inexplicavelmente, uma necessidade".
Tomo o exemplo de cá, da Redação. Quando dizemos ter uma convivência intensa há mais de vinte anos, provavelmente entendem como hipérbole, ou nos tomam como mentirosos mesmo. Mas não, de fato, é um convívio tal como descrito. Nesses vinte anos, partimos de nossa inconsciência uníssona de desbravadores desse admirável mundo novo e aportamos ao que somos hoje - um emaranhado de idéias muitas vezes confusas, por vezes complementares, por vezes opostas, mas, acima de tudo, totalmente interligadas. O que temos aqui é o amadurecimento de idéias que, em algum ponto, se tocam (ou melhor, se "grudam") e, a partir daí, se equilibram.
Eu sempre gosto de fazer esta analogia: a Redação como se fosse uma pessoa só. Uma pessoa tem, em sua cabeça, um caldeirão de idéias fervilhando - e vão lá pensamentos se batendo uns com os outros, se ajuntando, se esfolando, se quebrando incessantemente... enfim, uma constante evolução de opiniões que culminam (a partir de certo ponto da vida) numa personalidade mais ou menos firmada. Partindo desse pressuposto, não se notam muitas diferenças entre uma pessoa de verdade e a Redação. Em essência, são apenas idéias. Idéias minhas, idéias dos meus colegas, que, debatidas, crescem, tomam forma, e viram alguma coisa no jornal. Idéias que, por algum motivo, se unem e se conformam a um arranjo comum à união estável.
Que são idéias interligadas, tudo bem. Pessoas que se "grudam", ok, entende-se. Mas por que tudo isso? Aí ninguém sabe... afinidade? vá lá... mas por que razão? Inexplicável. Simplesmente vão surgindo esses elos de onde menos se espera. Muito além de estar restrito a idéias, o apego - tal como o desapego - de uma pessoa à outra é um mistério indecifrável. E, em vez de se questionar, afinal, o que o gera, vejo com maior importância cultivar fenômeno esse tão intrigante. Chamem de amizade, de amor próprio, ou de tantos outros nomes que se dá a situações, no mínimo, similares - um homem na luta contra a loucura, um casal na superação da crise dos 15 anos, a mente de um pastor evangélico, a Redação desse jornal, ...
Bom, nós, da redação, conformados, sem esforços (de minha parte, pelo menos), para estabelecer esse elo, estamos felizes e ansiosos pelo começo dessa jornada. A concretização do projeto "Jornal Critilo" será um meio eficiente de nos conhecermos melhor, expondo por completo tudo o que se passa por aqui, e ainda, e não menos importante, objetiva induzir um copular frenético, psicótico e imoral de idéias, nossas e d'outrem, sem dar a mínima às conseqüências disso.
Agradecemos a todo o apoio que nos foi dado desde o início - e, se algum nome deve ser citado, esse nome é um só: Gabi Sturz (ao teu apoio, ao teu esforço imensurável, e a tudo mais, Gabriela, te agradecemos! Este projeto é dedicado a ti! Um beijo forte de toda a Redação!!).
O Formato do Jornal é bem simples: cada texto será publicado relacionado a uma ou mais seções do Jornal. A seguir, breves comentários sobre cada seção:
  • Apresentações - segue desse post (levemente introdutório) e d'outros futuros, apresentando os membros da redação e o que mais puder ser apresentado;
  • Classificados - anúncios variados;
  • Esportes
  • Reflexões - área filosófica do jornal, textos pesados e profundos;
  • Crônicas - "a vida como ela é";
  • Arte - espaço de alto teor cultural, divulgando as manifestações artísticas da Redação;
  • Gastronomia - receitas dos melhores gastrólogos;
  • CAPA - fique por dentro de tudo que anda rolando no mundo das estrelas. Moda (leia-se modinha) em geral. O grande chamariz à grande massa morta;
  • Geral - leia-se resto;
  • Diálogos - de vãs filosofias de buteco à entrevistas variadas;

No mais, é isso. Desejo um bom trabalho a todos.

Abraços, Gutiérrez.

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