segunda-feira, 13 de abril de 2009

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Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
[...]
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
[...]
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
[...]
...a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus.
(Chico Buarque)

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terça-feira, 24 de março de 2009

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"A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega
No momento em que eu queria ver
O segundo que antecede o beijo,
A palavra que destrói o amor
Quando tudo ainda estava inteiro
No instante em que desmoronou.

E cada segundo, cada momento, cada instante
É quase eterno, passa devagar
Se o seu mundo for o mundo inteiro
Sua vida, seu amor, seu lar
Cuide tudo que for verdadeiro
Deixe tudo que não for passar.

Palavras duras em voz de veludo
E tudo muda, adeus velho mundo
A um segundo, tudo estava em paz

Cuide bem do seu amor
Seja quem for..."
(Herbert Vianna)

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segunda-feira, 23 de março de 2009

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"Tristeza não tem fim, felicidade sim..."
(Vinícius de Moraes)

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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Fossa Crítica

Eu vou assim meio aéreo,
meio perdido, meio a meio
num exercício forçoso que é conviver com essa idéia.

Eu vou vivendo em vão
ouvindo em todo lugar essa canção
e em todo lugar, o cheiro, e o gosto,
e o momento vago, que agora é vivido fora daqui.

Nesse quarto, nessa sala,
esse fardo selado, pesado, triste
talvez não pela perda
talvez não pela mentira
não sei... é tristeza
desnuda, crua, intensa
que aperta, que sufoca, que embaça.

E que me faz do corpo uma linha torta.
E eu vou torto, meio morto
passo a passo, flutuante, eu vou
vou sem chão, sem ar
vou fugaz, sem perdão
vou caindo sem saber onde chegar
embalado por um sentimento doloroso... sem nome.

A pele magra se torna opaca
os olhos, fundos,
as mãos, mortas,
morto... me sinto morto
me sinto preso dentro de mim mesmo,
desfragmentando os meus pensamentos,
despersonalizando as minhas pessoas,
não dá certo... nem assim.
logo eu mesmo me acho, me aperto e me mato.

E os únicos momentos sãos vão de auxílio ao torpor
dentre goles e tragadas, a tristeza se dissolve
e eu volto...

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sábado, 10 de novembro de 2007

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queria eu pensar menos...
não pensar, pensar quando quisesse, pensar à toa.
se pudesse esquecer, ignorar, abstrair, tudo conscientemente...
a vida seria leve, seria linda, seria paz.
mas esses pensamentos vem... e pesam
e a vida pesa
o peso da existência é o pior dos fardos...

a euforia, antes esporádica, dia a dia fica distante...
as oscilações vão de mal a pior
não sou mais pêndulo,
sou corpo morto soterrado em pensamentos dilacerantes
sou a jugular rasgada
o tiro na garganta
sou dor... só dor...

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domingo, 14 de outubro de 2007

título inútil

Mundo imbecil! Mundo imbecil! Sim, o mundo é imbecil, pejorativamente imbecil. Um xingamento indignado, deste, que, durante anos, foi enganado e vê, agora, o completo insentido de viver. A vós escrevo em peito inflamado, ébrio de sanidade, completamente ébrio de tanta consciência!
Eis porque o mundo é imbecil... ele nos ilude. Tudo que nos circunda não passa de um grande arredor mal caráter sem a mínima decência. Eis a verdade que podem (e vão) tomar por mentira. Admitam, tolos! A sede por justiça em egocêntrico gozo hipócrita fala mais alto em qualquer um... e não, nem isso é admitido, isso é, sim, oculto, conscientemente oculto, ao olho do cego maravilhado com a vida, cego esse que não percebe perder em cada imbecil segundo do seu imbecil viver tanto e tanto nessa imbecil ilusão - não sendo, evidente, culpa do coitado, ele é fraco e não sabe caminhar com as próprias pernas...
Oh, e curvemo-nos perante o velho mundo por sua exuberante perfeição... curvemo-nos diante a perfeição do corpo humano, curvemo-nos diante a perfeição do universo, das forças eletromagnéticas, eletrostáticas, hizocrostáticas, hizocruteráceas, e o diabo a4! E passemos o resto de nossas vidas a nos curvar e curvar e curvar, reverenciando a total submissão humana, dando vivas a nossa fraqueza, justificando nossa fragilidade, vangloriando a nossa inutilidade, inconscientemente conscientes... é tudo incoerente. Essa corrente que nos leva, e não a fazemos parar.
Afinal, que fazer? que pensar?
Nada, nada... seremos imbecis pelo resto da miserável vida. Surgirão idéias...fracassadas, surgirão heróis...fajutos, surgirão imbecis, sim, a todo momento, a toda hora...
e sim! Tomem tudo o que foi dito aqui como ofensas... critiquem a total falta de moral desse "post" de mais um adorável blog... crucifiquem-me! esse imbecil que vos escreve.
Essa é a melhor reflexão acerca do mundo e, sobretudo, do patético ser do 'ser humano', e ninguém haverá de admitir... imbecis.

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sábado, 8 de setembro de 2007

Velhice

Com o tempo, a nossa mente se quebra. E fragmentada, se perde... pequenos pedaços do que um dia já ousou ser. Um punhado de migalhas de um futuro imutável e incerto. Um emaranhado caótico de pensamentos retos e curvos, e bizarros.
Vai-se envelhecendo a carne, a expressão, as idéias.
Vai-se perdendo a surpresa,
vai-se morrendo.
E soluçando o velho ia, beirando o abismo, num choro curtinho, pedindo: "um pouquinho... só mais um pouquinho". As palavras soavam roucas, pairavam uns metros, caiam no vazio do nada, e, ironia, atendidas se faziam quando de nada adiantavam... (até porque não há nada que o nada possa fazer...).
E a sobrevivência que um dia era alegre, agora era um fardo. O velho está velho, e nada muda isso. Perdendo sua identidade, se perdeu no tempo. Não sabe se faz 8, se tinha 39, se está com 97... Não sabe.
Adentrava a igreja pisando o vazio (de novo o vazio). O vazio se tornou seu peso maior, lhe puxava. Encarava o padre, encarava aquela desconhecida... quem? quem era? De repente lembrava. Que desatino, aquela velha conhecida... sim, casava-se. Casava-se com a solidão.
Momentos bons? Nunca existiram... nesse mar de pessimismo que a velhice o jogou, não há nada de bom. Há a morte, há a desilusão, o descaso. Há somente a antítese. E o ideal? Lá, longínquo... na superfície. O velho não agüentaria nadar à superfície, prefere a comodidade do choro.
8, 39, 97, que diferença faz? Sua vida andava em círculos, sem um sentido coerente. Era um animal, continuava um animal, e de animal só passaria à poeira... a uma inútil nuvem de poeira.

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domingo, 12 de agosto de 2007

Música, Futebol, Beleza e Lixo

A beleza das coisas está se perdendo. Pode parecer nostalgia, mas não consigo acreditar que seja, de fato. É simplesmente uma postura saudosa de tempos que, como indivíduo, nunca presenciei; mas que, como fruto daquela geração, adoto como algo, pelo menos, mais belo.
Hoje eu vi um jogo na televisão (Grêmio 1 x 2 Corinthians)... vi um jogo, apenas, porque, quero deixar claro, eu não vi um jogo de futebol. Não quero acreditar que o futebol virou isso. Futebol, na essência da palavra, é esporte... é competição, é garra. O que vi não era esporte, não era competição, não era garra. O que vi não eram nem 2 times medíocres... porque o que eu vi não eram times. O que eu vi eram pessoas... pessoas comuns, uniformizadas, correndo de cá para lá e de lá para cá para tirar seu sustento, seu pão de cada dia. Poucos jogadores, muitas pessoas. E nós, como pessoas, somos uma torcida frustrada em querer ver futebol, mas vendo uma maioria de pessoas, nossos semelhantes, sem vontade de jogar, simplesmente atuando seu papel de jogador.
Tal como a música propriamente dita, que só pode ser encontrada fora da mídia, nos becos e esquinas onde a beleza transcende a estética, o futebol belo já não é mais profissional. Poucos, dentro dessa esfera, são jogadores propriamente ditos. Eles não mais vestem a camisa do time, eles não mais têm garra ou têm vontade. Eles não querem gols, querem, apenas, sobreviver.
E a sobrevivência não tem nada de bonito. A beleza não mais faz parte do que é divulgado - do músico na boca do povo ao jogador que joga apenas como profissão. A beleza, mais e mais, é abandonada em becos sujos, aos cuidados de uma minoria que, de fã, é obrigada a se tornar seu ideal de ídolo. E de torcedores, vamos jogando pelé... de amadores, passamos a músicos, de fato... porque não há mais diferença entre lixo e beleza estética.
Hoje, a beleza é feia...

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