quarta-feira, 6 de maio de 2009

Era II

A redação do Jornal Critilo vem dar uma satisfação ao zilhão de leitores ávidos que dia a dia entristecem-se ao não ver nada além de uma que outra chorumela nesse blog com tanto potencial.
Buenas, o que passa é que estamos em tempos difíceis. As dificuldades são muitas, porém não vamos justificar nossas faltas, e sim esperançar vossos olhos atentos com um horizonte novo e um futuro potencialmente grande. Sim, meus caros, mudanças bruscas nos nossos rumos estão por vir...

O panorama atual é o seguinte: paradoxalmente, a redação do nosso jornal cresce mais e mais a cada dia. Nunca estivemos tão grandes, com tanto conteúdo, e com tantas idéias para pôr em prática. E isso é um problema... o crescimento nos trouxe uma anarquia de idéias. Nos aviramos em uma multidão de vozes bradando suas causas, e o que resta é um sentimento comum de insatisfação geral! Todos querem ser ouvidos, e ninguém entende ninguém. Para piorar a situação, nosso mentor intelectual, o Gutiérrez, anda afundado em uma ressaca emocional e não dá mais bola para essa birosca.

Bom, meus amigos... resolvi agir. Eu, Jão, e o irmão Felipe passamos a tomar conta desta porra. Conosco a coisa vai se mais séria. Chega de poeminha mela cueca, chega de reflexões vazias, chega de conflito existencial. Adotamos um sistema de construtivismo dinâmico: aqui vai se escrever sobre arte, sobre cultura, sobre conhecimento. Manifestações outras (não) vão passar pelo rigoroso crivo do nosso filtro crítico.

E já convido desde já os novos amigos da redação a se apresentarem. Não só, mas também convido quem se interessar à realização dos ensaios da banda Bossa Crítica, que está voltando a ativa. Com a ausência do irmão Gutiérrez e a saída do Júnior (que já vai tarde, eu arrisco dizer) estamos com lugar de sobra na banda.

...é isso.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

CULPA

Qual é o destino daqueles que não podem ser o que querem de bom grado?
Fazer de um acordo, fato.
Num trapo atado a requinte do fardo que, em amargo tremor, arreio em questão cortês, não faz passar o senão de um sonho agudo o qual, em passeio, se faz prolixo. Tampouco le apraz tratar a dor do sentido sofrer. Calada ela chora; e, injustamente, despedaça, amordaçada sem amor, em fatuosos destinos sem tino, sem mira, sem norte.
E sentada, espera apreensiva. Aprende com o ato furtivo do cativo senão da força acuada por nada - a não ser por pequeno esforço da mira desfeita. Aprende que se cala à beira de qualquer reação do reacionário ideal regente a esse traço incordial - de fato, desperto no momento vil da insidiosa catástrofe tragédica. Tratosa tortuosição, tremulidade da transação de um transamento sexualizado da face em desespero de forâmens cadentes de gente a gente, sabendo quão torrente o jato aquoso se faz doloroso, se faz ardido, se faz custoso. E imoral, em volúpia insana, traz-se a ânsia de uma líbido profana em vôo de queda livre, e trata, no trato, um postero pastoso e azedo.
Vai... vai curvada pelo castigo imposto a si própria.

se sente culpada.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Gente

Se vê que essa gente não é tão ruim,
Que, se é gente, vai se dando assim,
Se doando meio sem razão.

Não, não há ninguém que siga sem querer
Um alguém pra gente aprender
Onde fica o coração.

Vai achar aquela que te faz feliz
E, quando achar, então você me diz
Que o amor é coisa séria sim...

Até o dia em que se busca
Culpa na desculpa muda,
Busca barro na calçada
E joga pra dentro de casa,
Que essa já vai descasar...

É... que essa gente não é boba assim,
Que, se é gente, vai jogando, sim,
E sai ganhando já pra não perder.

(ouçam no site da banda! www.palcomp3.com.br/bossacritica )

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

feijão sem arroz

Eu parti o meu medo em dois
um pr'agora, outro pra depois,
porque, sem medo, sabe com'é,
a gente não é mais que feijão sem arroz

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Firença

Batuta o matuto um trejeito no jeito à gente a que vai se'xplicar
Matuta a cera de se ter por feito o leito onde se vai deitar
Carece, mal quisto, dum visto, dum ato, dum fato de se orgulhar
E chora por pena da cena de nao ser alegre quando deve estar...

E tenta matar a desgraça, matar na cachaça,
- ma non c'è l'ho qui!
Inventa uma cisma no peito, amor sem despeito
- no, non c'è l'ho qui...

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Jão Siqueira Sarará

A quem não sabe, siqueirinha tambor, jão melodia, ou só Sarará - o compositor oficial do jornal. Não tem música desse lado de cá que não tenha passado pela mão morena de jão sarará.
Minha formação vem do canto - seu canário m'ensinou sobre a arte de voar a cantar. Das tristezas e alegrias, me distorso rumo ao drama. Às surpresas dessa vida, vou de encontro como chama - não me apago, me apego. Em abraços, ardo; do contrário, me assussego.

"Eu sou o Deus e o Diabo num roça-roça imoral."

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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Divaguinhos de um ébrio cansado...

Num belo dia de sol, refrescado pela brisa de um clima ameno e agradável, pairava, sobre os mares sem fim das pétalas de um jasmim, um imenso vilarejo chamado Orkhatul. Os mares estavam profundos e tenebrosos pois, a cerca de poucos minutos orkhatulianos, ocorrera a grande profecia orkhatuliana... A PROFECIA DO DEUS ORKHATULMUS!

Em cima de um pequeno grão de pólen, partindo do vilarejo rumo ao horizonte, sentados, proseavam os três velhos gerorkhatulmoniates. Tais respeitosos orkhatulianos eram os líderes da tribo e, como rezava a lenda, a hora de partir rumo ao desconhecido de encontro aos mil deuses unindo-se, por fim, como tríade sagrada e formando o milésimo primeiro deus da milésima terceira geração havia, finalmente, chegado. Eles estavam anciosos. O fumo orkhatuliano nunca fora tão saboroso, o abraço das orkhatulianas, nunca tão caloroso, e as lágrimas, então, nunca tão sinceras. Era, contudo, não um adeus, e sim um até breve, pois, como ORKHATULMUS dissera certa feita, a tríade sagrada, uma vez fortemente unida, tem olhos que tudo vêem, braços que tudo tocam, ouvidos que tudo escutam e... um grande grão. O grande grão era a base de sua crença, era o motivo, o ato, e a conseqüencia...

Já longe dos olhos e ouvidos de Orkhatul, os três sábios aperceberam-se de algo novo: suas palavras já não eram proferidas... conversavam no mais profundo silêncio. Nos olhos se viam claramente todo e qualquer impulso o qual pudesse ser pensado. E, de repente, não mais que de repente, os olhos não enxergavam, os ouvidos não escutavam, todo o futuro passado tornara-se... perceberam que não podiam mais perceber... e de sua morte momentânea, ao escorregar do grão soberano ao futuro fecundo jasmineiro, ORKHATULMUS sorriu...

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domingo, 23 de setembro de 2007

A Leveza x O Peso

Na inconstância da natureza, nada mais tolo que se ter por incerto o certo. Por convenção, disso o contrário sábio se torna, e isso é coisa bem pertinente. Que a gente já têm por incerto um tanto de certo e não vê quão lógico é pensar o contrário. O que eu quero passar é: primeiro, que o certo é incerto - e isso é verdade e boto fé -; segundo, que não há nada de errado - e muito pelo contrário - em pedir ao contrário uma resposta mais certa.

Exemplifico...

Na brandura acalorada daquele corpo, Ela se fazia soberana feito coisa nunca vista. Dominava-o por completo, impondo-lhe sua força leve. Se havia questão feita, a questão da questão se fazia resposta, e, não fosse o temor de convenção, se veria o certo pelo certo, e assim se quedaria por fim. No entanto, há de se ver que não se tem certeza tão certa assim, e por isso, meia e volta, a questão vem, e se vai, e se avira do avesso. Enfim... coisa bem cabida a um corpo dessa natureza. Mantinha-se o corpo... corpo de inefável beleza por tamanha flexão entre certeza/incerteza, resposta/questão - devido isso somente a Ela, força leve que o acometera.

Tão logo, de súbito, assim veio a fição (pois Ele não se tardou). O corpo pluralizou em dois, a vida singularizou em um vão. Afinal, não há de se ter leveza naquilo tão quisto pelo temor de convenção. E, como se viu que há de ser, da certeza fez-se incerteza, e do avesso avirou-se a questão. Já não havia tamanho equilíbrio a flexionar coisa a outra, tamanha leveza a questionar a própria questão - Ele, por fim, se fez presente nessa história, pesando seu fardo da incoerência e recriando os traços da inconveniência.

A história é resumida, sem os detalhes descabidos, mas tem pelo certo o fim incerto que está ainda a desenhar.
A história é verídica. A história se repete. A história é um eterno retorno.
Avesso ao avesso, talvez seja um problema sem resposta.
Que talvez à resposta só reste a questão dessa própria questão.

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sábado, 8 de setembro de 2007

Judiaria

Todo homem é escravo de uma mulher
Ah! Fardo tão cruel esse amor infiel
E essa dor-desilusão de ver a sorrir a outro afeição
Daquela, da minha senhora, minha mulher.

E, logo que me ajeito, lá vem outra a me tentar.
E vem com aquele jeito que elas sabem bem usar.
E agora, Deus, desse coração partido fez-se outro amor perdido
Porque elas só me sabem judiar, só judiam de mim
só me sabem judiar, só judiam de mim...

audição disponível na seção MÚSICAS!
Créditos da execução atribuídos integralmente à banda Bossa Crítica.

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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Sobr'insentido em desficuidadecer...

Tem,
tem, por certo,
tem maior encanto qu'essa não capacidade
de se tomar por desconhecido o que que há d'especial
em se ver, afinal, perdido, e aperceber-se(r) tão banal
acontecer... sem acontecer.

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sábado, 4 de agosto de 2007

Um real sentido a aniversário...

Aniversário não é nostalgia, não é lamentação sobre cheiro e gosto de velhice...
Aniversário não é clichê. Não é desculpa para farra, não é.
Aniversário é sobrevivência.
"Parabéns, meu amigo, você viveu mais um ano!"

E por que o ano? Porque é redondo.
a gente adora arredondar...

Parabéns, Gutiérrez, tu estás vivo!
A redação le deseja tudo de bom.

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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Ócio

Lá vem
Escrevendo e escrevendo só pelo ato, sabe com'é. Sai penando co'as asas da cuca, jogando o de sempre, jogo do são. Ato do auto furtivo - réquiem ao bom pensador de si a si que, fosse como fosse, não sabe nem se dia algum já foi, por ser. De nada se sabe... de nada. Quem um dia diria que...? Ninguém. Tolice.

E vão me começando os sintomas do ócio crônico e da desocupação que mata aos poucos.

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segunda-feira, 30 de julho de 2007

Amargura

É essa pedra que me aponta o peito, e rasga a seco minha entranha...
hoje é domingo.
E se entende por domingo como o belo dia do sol sem sol;
dia do repouso inquieto,
da ânsia pelo algo incerto,
esse que, de certo, não vai acontecer... porque hoje é domingo...

E o tema é escasso, e eu não sei o que escrever...

Ah, amormeu, aboleteia que aboleteu,
veste a vista artista do ardor - ai! dor, dor -,
sua a guarda, a guardida ardida água caiada,
cai bem branda no coliculinho do vovô
vovô serafim
blublurublu
blérc! blérc!
zurungudúndum

Jão e Júnior

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